Deivid Silva garante o bi do Brasil no QS 10000 Ballito Pro da África do Sul

| Foto: Ryan Janssens

|by João Carvalho

O paulista Deivid Silva conquistou o bicampeonato consecutivo do Brasil no QS 10000 Ballito Pro com a melhor apresentação da semana nas ondas de Willard Beach, em KwaZulu-Natal, na África do Sul. A decisão do título no domingo foi contra o mesmo australiano Jack Freestone que perdeu a final do ano passado para o paranaense Peterson Crisanto. Com os 10.000 pontos da vitória, Deivid saltou da 130.a para a quarta posição no WSL Qualifying Series, que continua liderado pelo potiguar Jadson André. O pernambucano Ian Gouveia parou nas quartas de final, mas também entrou no grupo dos dez surfistas que se classificam para a elite dos top-34, pelo ranking de acesso da World Surf League.

“Estou muito amarradão por ter vencido essa grande final”, disse Deivid Silva. “O Jack (Freestone) vinha surfando muito bem o campeonato todo, mas Deus mandou as melhores ondas da bateria pra mim. Foram duas ondas incríveis e essa foi a melhor final da minha vida. Estou muito feliz em estar com todos os meus amigos aqui na praia festejando e toda minha família torcendo por mim no Brasil, minha esposa, minha filha, meus pais, então não tenho nem mais o que dizer, só que estou muito amarradão pela vitória”.

No domingo, as condições do mar estavam difíceis para competir nas ondas de 4-5 pés em Willard Beach e Deivid Silva conseguiu pegar as melhores que entraram na grande final, para bater o australiano Jack Freestone com os recordes do primeiro QS 10000 do ano na África do Sul. Ele já começou bem numa direita que proporcionou três manobras fortes que valeram nota 8,33. Depois, mais para o final dos 35 minutos de duração da bateria, achou outra direita que armou o paredão para mandar duas pancadas insanas com velocidade, que arrancaram nota 9,30 dos juízes para totalizar 17,63 pontos, contra apenas 9,46 do seu oponente.

Deivid Silva falou como foi essa onda que valeu a maior nota do campeonato: “Depois que fiz a primeira manobra, pensei que ela ia fechar, aí armou uma parede muito grande, então tive que mandar a batida e fiquei até com medo de quebrar a prancha de tão forte que foi. Foi realmente uma onda incrível e só tenho que agradecer a Deus por ter me mandado ela”.

Os dois finalistas entraram na elite dos top-34 da World Surf League que disputa o Championship Tour neste ano e este resultado foi importante para ambos se manterem na divisão principal do Circuito Mundial pelo ranking do WSL Qualifying Series, caso não consigam garantir suas permanências entre os 22 primeiros do CT. Com os 10.000 pontos da vitória, Deivid Silva saiu da posição 130 para a quarta do ranking, enquanto Jack Freestone subiu de 353 para 14 com os 8.000 pontos recebidos pelo vice-campeonato.

“É claro que eu queria vencer, mas estou feliz também por estar na final novamente, como no ano passado”, disse Jack Freestone. “Isso só me dá motivação para trabalhar mais forte para tentar o título no próximo ano. Eu estava me sentindo bem confiante na bateria final, mas as ondas ficaram muito difíceis, então não tive muito o que fazer. Mas, certamente foi um bom resultado para levar para J-Bay (onde na terça-feira começa a sexta etapa do CT)”.

VAGA EM J-BAY – Quem também saiu feliz de KwaZulu-Natal no domingo foi o francês Jorgann Couzinet, mesmo sendo derrotado por Jack Freestone nas semifinais. Com o terceiro lugar no Ballito Pro, Jorgann pulou da décima posição na rabeira do G-10 para a segunda. Com isso, ganhou um convite para disputar o Corona J-Bay Open, a sétima etapa do World Surf League Championship Tour, que começa na terça-feira em Jeffreys Bay, também na África do Sul. O outro convidado é Beyrick De Vries, que passou a ser o melhor sul-africano no ranking com os 3.700 pontos do nono lugar no primeiro QS 10000 do ano.

“No final da bateria, achei até que tinha conseguido a pontuação que precisava para passar para a final, mas estou muito feliz por ter recebido o convite para J-Bay”, disse Jorgann Couzinet. “É um sonho que será realizado e certamente vou dormir muito bem essa noite. Eu vim para cá pensando em chegar nas quartas de final pelo menos, então estar nas semifinais foi incrível também. Agora, não vejo a hora de competir em Jeffreys Bay”.

Outro brasileiro que também chegou no domingo para tentar a terceira vitória do Brasil no QS 10000 Ballito Pro foi o pernambucano Ian Gouveia. Antes dos títulos consecutivos de Peterson Crisanto e Deivid Silva, o catarinense Alejo Muniz tinha sido o primeiro a levar a bandeira verde-amarela para o alto do pódio em Willard Beach em 2015. Ian Gouveia perdeu para o francês Jorgann Couzinet nas quartas de final, mas o quinto lugar lhe garantiu a décima posição no ranking, fechando a lista dos dez que se classificam para o CT.

G-10 DO QS – Com as entradas de Deivid Silva e Ian Gouveia, dobrou o número de brasileiros no G-10. O potiguar Jadson André permanece na frente do ranking e o outro é o paulista Alex Ribeiro, que não passou nenhuma bateria em Ballito este ano e despencou da terceira para a oitava posição. Completam a zona de classificação para o CT 2020 após a 33.a etapa na África do Sul, o francês Jorgann Couzinet em segundo lugar, o australiano Matt Banting em terceiro, o japonês Reo Inaba em quinto, o americano Nat Young em sexto, o costa-ricense Carlos Muñoz em sétimo e o australiano Jordan Lawler em nono.

Além dos brasileiros Deivid Silva e Ian Gouveia, o pura vida da Costa Rica, Carlos Muñoz, foi o outro surfista a entrar no G-10 no Ballito Pro. Ele foi barrado na primeira bateria do domingo pelo vice-campeão Jack Freestone, mas já tinha entrado na lista com o quinto lugar no evento. Os três passaram a ocupar as vagas que estavam com os australianos Jack Robinson e Connor O´Leary e com o japonês Hiroto Ohhara, que perderam em suas estreias na África do Sul.

PRÓXIMAS ETAPAS – A disputa pelas dez vagas para o CT 2020 terá outra grande batalha no segundo QS 10000 do ano, o tradicional Vans US Open of Surfing que vai rolar no fim do mês, de 27 de julho a 4 de agosto em Huntington Beach, na Orange County, Califórnia. Nos dois últimos anos, essa etapa foi vencida pelo japonês Kanoa Igarashi, mas os brasileiros também já conquistaram vários títulos no maior palco do surfe norte-americano. Até lá, tem uma prova do QS 1500 nessa semana, dias 08 a 15 no Japão e um QS 1000 nos dias 21 a 23 no México.

Antes do QS 1000 de Ballito, os sul-americanos que estavam mais próximos da zona de classificação para o CT eram os peruanos Miguel Tudela e Alonso Correa, empatados em 13.o lugar. Eles continuam sendo os melhores do continente fora do G-10, mas Miguel caiu para a 18.a posição e Alonso Correa para a 22.a, à frente ainda dos brasileiros Miguel Pupo, que subiu para o 23.o lugar, Jessé Mendes para o 24.o e Lucas Silveira em 27.o. O QS 10000 Vans US Open Pro Surfing será mais uma grande oportunidade para eles entrarem na lista dos top-10.

Mais informações, notícias, fotos, vídeos e todos os resultados do QS 10000 Ballito Pro podem ser acessadas na página do evento no www.worldsurfleague.com

RESULTADOS DO DOMINGO NO QS 10000 BALLITO PRO:

Campeão: Deivid Silva (BRA) por 17,63 pontos (9,30+8,33) – US$ 30.000 e 10.000 pontos

Vice-campeão: Jack Freestone (AUS) com 9,46 pontos (5,23+4,23) – US$ 15.000 e 8.000 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com US$ 10.000 e 6.500 pontos:

1.a: Jack Freestone (AUS) 12.03 x 11.37 Jorgann Couzinet (FRA)

2.a: Deivid Silva (BRA) 11.60 x 8.16 Wade Carmichael (AUS)

QUARTAS DE FINAL – 5.o lugar com US$ 5.000 e 5.200 pontos:

1.a: Jack Freestone (AUS) 14.23 x 12.43 Carlos Muñoz (CRI)

2.a: Jorgann Couzinet (FRA) 14.93 x 9.83 Ian Gouveia (BRA)

3.a: Deivid Silva (BRA) 13.80 x 13.33 Joan Duru (FRA)

4.a: Wade Carmichael (AUS) 13.10 x 12.84 Maxime Huscenot (FRA)

G-10 DO WSL QUALIFYING SERIES – após 33 etapas:

01: Jadson André (BRA) – 16.000 pontos

02: Jorgann Couzinet (FRA) – 13.160

03: Matt Banting (AUS) – 12.550

04: Deivid Silva (BRA) – 12.320

05: Reo Inaba (JPN) – 12.210

06: Nat Young (EUA) – 11.050

07: Carlos Munoz (CRI) – 10.890

08: Alex Ribeiro (BRA) – 10.080

09: Jordan Lawler (AUS) – 10.010

10: Ian Gouveia (BRA) – 9.960

——-próximos sul-americanos até 100:

18: Miguel Tudela (PER) – 7.640 pontos

22: Alonso Correa (PER) – 7.290

23: Miguel Pupo (BRA) – 7.170

24: Jessé Mendes (BRA) – 7.150

27: Lucas Silveira (BRA) – 6.640

30: Krystian Kymerson (BRA) – 6.520

31: Flavio Nakagima (BRA) – 6.420

32: Wiggolly Dantas (BRA) – 6.410

50: Yago Dora (BRA) – 4.860

54: João Chianca (BRA) – 4.735

57: Thiago Camarão (BRA) – 4.500

58: Tomas Hermes (BRA) – 4.450

59: Marcos Correa (BRA) – 4.405

62: Marco Giorgi (URU) – 4.355

63: Marco Fernandez (BRA) – 4.230

68: Luel Felipe (BRA) – 4.050

70: Bino Lopes (BRA) – 4.040

71: Gabriel Medina (BRA) – 3.910

73: Joaquin del Castillo (PER) – 3.815

78: Caio Ibelli (BRA) – 3.620

80: Lucca Mesinas (PER) – 3.610

84: Italo Ferreira (BRA) – 3.550

88: Matheus Navarro (BRA) – 3.480

93: Weslley Dantas (BRA) – 3.360

95: Vitor Mendes (BRA) – 3.345

105: Rafael Teixeira (BRA) – 3.055

108: Lucas Vicente (BRA) – 2.995

109: Samuel Pupo (BRA) – 2.990

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