Depois de alguns convites do Xandão, que declinei por diversos motivos, finalmente o Eduardo me botou contra a parede e me deixou sem saída. Mas não se engane, pois não se trata de tarefa indesejada. Na verdade, confesso que gosto de expressar minhas ideias, e será um grande prazer voltar a escrever depois de ter sido colunista em alguns outros veículos de surfe que nem existem mais e ter mantido um blogue durante anos para falar principalmente de surfe, mas sem estar preso a esta pauta. E isto é o que pretendo fazer aqui.

Vou comentar acontecimentos atuais, criticar lambanças variadas, contar algumas histórias e curiosidades e até, já pedindo licença, reproduzir algumas colunas lá do blogue. Nesta minha primeira coluna, quero comentar uma lambança sobre a qual tomei conhecimento ontem. O DETRAN/RS publicou em todos os seus canais o seguinte texto, sob o título “Não seja haole”:

Estamos na época de pegar ondas.

Você sabe como carregar corretamente a sua prancha?

O transporte de pranchas é permitido na parte superior externa da carroceria, presa a racks fixos, não podendo ultrapassar os limites frontais e laterais do veículo ou impedir a visibilidade do motorista. Isso vale para todos os tipos de prancha, inclusive longboard e stand up paddle. É proibida a fixação da prancha apenas com a fita rack, sem o rack fixo (bagageiro) devidamente instalado no teto do veículo.

Ao responder para eles que trata-se de um absurdo querer proibir um equipamento que é usado desde que o surfe existe, aqui e no mundo inteiro, eles responderam isso:

“Esse conteúdo foi feito com base na Resolução do Contran, órgão ao qual compete regulamentar essas questões.

O art. 5º da Resolução 349/10 prevê que o transporte de cargas deve se dar em bagageiros ou presas a suportes apropriados devidamente afixados na parte superior externa da carroçaria.”

 Peço que o leitor atente para este trecho: “…suportes apropriados devidamente afixados na parte superior externa da carroçaria.” o que deixa claro que na verdade, a turma do DETRAN/RS simplesmente não soube interpretar a lei. O que está proibido, e eu concordo, é o uso de suportes não apropriados, ou seja, gambiarras. E agora? Isto também está claro para os agentes de fiscalização?

Como bem foi comentado lá nesta postagem do Facebook , daqui a pouco vai aparecer um fornecedor exclusivo de racks de fita homologado pelo Contran. E no final das contas esta história começa a ficar parecida com aquela obrigatoriedade de manter um kit de primeiros socorros no porta-luvas ou mesmo do uso do extintor de incêndio, que de uma hora para a outra foi decretado como sendo item opcional – quem nunca marchou com um extintor novo por conta da data de validade do extintor original do veículo?

Chega a ser bizarro que no país do surfe, com toda a popularidade que o esporte conquistou, os órgãos públicos ainda cometam este tipo de confusão que só atrapalha os praticantes e simpatizantes.

Pela quantidade de respostas acerca deste assunto que o DETRAN/RS está recebendo nos seus canais, acredito que vão repensar e corrigir a confusão que estão causando. Caso contrário, lamento muito, mas nós surfistas vamos ter muitos problemas nas estradas daqui para frente.

Até a próxima!

Por Giovanni Mancuso surfa com pranchas Index Krown modelo The Key!

 

 

 

One reply on “Não seja haole

  • Márcio "polenta" Haack

    Então. No Recife, ou Pernambuco como queiram, onde estive a pouco tempo é proibido levar as pranchas só na fita e pior, as mesmas não podem ser acomodadas entre os bancos! A polícia multa geral.
    Vai ver que a moda veio de lá!

    Responder

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