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Mutirão Azul consolida 67 soluções baseadas no Oceano na COP30 e contempla iniciativa do Instituto Ecosurf

 

O Mutirão Azul – Soluções Baseadas no Oceano para o Enfrentamento da Crise Climática consolidou um amplo mapeamento de iniciativas voltadas à preservação e restauração dos ecossistemas costeiros e marinhos, reunindo 67 soluções submetidas por diferentes atores sociais no Brasil e no exterior. A mobilização fortalece o protagonismo das agendas oceânicas no contexto da COP30 e amplia a articulação de ações estruturantes que permanecem para além da Conferência.

Do total de iniciativas recebidas, 48 são implementadas no Brasil e 19 em outras regiões do mundo, abrangendo Ásia, África, Oceania, Pequenos Estados Insulares, Europa, América do Norte e América do Sul. As propostas contemplam políticas públicas, projetos comunitários, tecnologias, modelos de financiamento e ações educativas, todas alinhadas ao Objetivo-Chave nº 7 da Agenda de Ação da COP30 – Esforços para Preservar e Restaurar Oceanos e Ecossistemas Costeiros – e aos Ocean Breakthroughs e temas transversais do chamado Pacote Azul.

O levantamento evidencia forte protagonismo da sociedade civil organizada (50% das soluções), seguida pelo setor empresarial (33%), comunidades tradicionais e povos indígenas (6%) e outros segmentos como movimentos sociais, instituições de ensino e órgãos governamentais. Também se destaca a liderança feminina nas iniciativas (65%), ao mesmo tempo em que os dados apontam para a necessidade de ampliar o engajamento de jovens nos processos de governança oceânica.

Entre os eixos temáticos com maior concentração de propostas estão Conservação e Restauração de Ecossistemas Costeiros e Marinhos e Cultura Oceânica, reforçando a centralidade das soluções baseadas na natureza e da educação climática no enfrentamento da crise global.

Iniciativa do Instituto Ecosurf contemplada conecta surf e conservação

A iniciativa contemplada do Instituto Ecosurf é o Plano Municipal de Áreas de Surf Protegidas (PMASP) – iniciativa 27.

Os PMASP devem ser constituídos como instrumentos de gestão costeira municipal que reconhecem o valor ambiental, social, econômico e cultural das zonas e ecossistemas de surf, orientando políticas públicas locais para proteção, uso sustentável e manejo participativo de ecossistemas costeiros e marinhos. Inseridos no escopo das Soluções Baseadas no Oceano, os planos integram conservação e restauração de habitats como dunas, manguezais, restingas e recifes, além de promover cultura oceânica, turismo sustentável e economia azul.

A proposta posiciona o surf como vetor estratégico de conservação, desenvolvimento territorial e engajamento social, articulando planos diretores, zoneamentos ecológico-econômicos, gestão de praias e educação ambiental para cultura oceânica. Ao ser contemplada no documento final do Mutirão Azul, a iniciativa passa a integrar oficialmente o portfólio de soluções reconhecidas como contribuições concretas ao enfrentamento da crise climática no contexto da COP30.

A consolidação do documento representa um marco coletivo: mais do que um inventário de boas práticas, o Mutirão Azul estabelece uma base estratégica de articulação, incidência política e continuidade de ações antes, durante e após a COP30, fortalecendo uma agenda oceânica estruturante, territorializada e de longo prazo.

De acordo com João Malavolta, coordenador do Ecosurf, a inclusão do Plano Municipal de Áreas de Surf Protegidas (PMASP) no documento final do Mutirão Azul consolida ainda o reconhecimento do surf como vetor estratégico de conservação costeira.

“A nossa iniciativa pretende construir estratégias de desenvolvimento territorial sustentável, fortalecendo a presença de soluções municipais estruturadas na agenda socioambiental global, agregando as melhores práticas que unam a mobilização social, esporte e cultura surf, além do protagonismo das comunidades de surf nas mais diversas regiões no cuidado com os ambientes de surf”, afirma.
O documento final do Mutirão Azul permanece como base estratégica de conhecimento, articulação e incidência política, contribuindo para políticas públicas de longo prazo e para uma ação climática justa, inclusiva e orientada à proteção do Oceano.